Algumas coisas acontecem no negócio da moda, e quando me refiro à moda me refiro a industria têxtil em geral, e no modo de produção atual que reflete bastante em como nos vestimos.
A revolução industrial e a lógica da economia moderna transformou o modo como as pessoas se vestem. Vivemos em tempos que a crise da superprodução ainda se faz presente, principalmente no varejo. As pessoas gastam muito mais dinheiro com roupas nos dias atuais, possuem muitas peças no guarda-roupas, mas todas de má qualidade. Em 1930 uma mulher americana comum tinha cerca de 9 peças de vestuário para dias frios, hoje a mesma mulher possui 60. Gasta-se mais dinheiro, mas por produtos de pior qualidade.
Nesses anos que se passaram, algumas empresas de tradição se manteram no mercado apesar da lógica do mercado ter se transformado com o tempo, assim como o modo de produção. É belo ver que essas companhias preservaram um modo de produção quase artesanal, gerando produtos de extrema qualidade, e lógico, mais caro que os concorrentes. Normalmente dizemos que estes produtos são para poucos, mas talvez não, é só repensarmos nosso hábitos de consumo, do muito barato, mas de má qualidade e de poucos, mais caros, com excelente qualidade.
No vestuário masculino fica claro quando observamos os sapatos. Observando os sapatos feitos pela inglesa Edward Green a mais de 100 anos.
Fábrica da Edward Green
Algumas partes do processo foram mecanizadas, mas de uma forma a dar mais eficiência ao trabalho do artesão, as etapas de produção continuam numerosas e diversas delas feitas totalmente pelas mãos. É importante notarmos que o “Know How” foi mantido ao longo dos anos criando um calçado que pode durar 20 anos se bem conservado. O Brasil é uma economia mais jovem que a britânica, mas os EUA também é uma economia tão jovem quanto a brasileira, mas a americana conseguiu manter a tradição em produção de produtos de alta qualidade e o Brasil não conservou esta tradição. Há empresários investindo no conceito de qualidade e de produtos feitos de maneira artesanal, como a sapataria The Craft Shoes Factory, mas ainda é algo pontual.
Sapatos da marca inglesa Edward Green
Portanto, vamos repensar nossos hábitos de consumo, notar que a moda se reinventa a todo momento, mas a qualidade e a tradição nunca saíram de moda.
Brogue da brasileira The Craft Shoes Factory




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